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Sobre a apoditicidade do Eu

 O modo com que o Eu se inscreve no horizonte de uma eidética geral, em que as figurações do objeto se resolvem numa unidade - a unidade do recobrimento sintético consigo mesmo que permite sua identificação - não é tanto o de algo que se figura nas aparições a cada vez, mas o de algo cuja consistência a cada vez precede as figurações e confere a elas o quadro de possibilização que lhes permite aparecer, doando-se à experiência. 

HISTORIA DA CAUSA

 Carraud 1. A investigação das causas e a suficiência das razões A presente obra é uma contribuição à história do problema da causa, de Suarez a Leibniz. Tem por objeto avaliar uma tese da filosofia moderna que reconhece à causalidade o conferir a inteligibilidade. Essa pretensão se resume em uma fórmula: causa sive ratio. Com a qual a razão da causa, "ratio causae", pode doravante compreender-se segundo o genitivo subjetivo, como razão da causa, uma razão que dá conta da causa. A tarefa da racionalidade incumbe assim principalmente, senão exclusivamente, à causalidade. A causa permite dar razão da coisa: do fato que ela seja, do porquê ela é, disto que ela é e de suas mudanças. O que supõe outra tese de que a causalidade só confere a inteligibilidade dirigindo-se a todo ente e não apenas ao ente natural-, tornando-se assim inteligível. Desde então, o problema da causalidade não é um problema particular em filosofia, mas vai de par com ele a universalidade de seu objeto. Com ...

Soloviev

This book is based on the conviction that philosophy in the sense of an abstract, exclusively theoretical knowledge has ended its development and passed irretrievably into the world of the past. This conviction differs from the usual negative attitude toward philosophy, the systematic expression of which we find in so-called positivism. It differs from positivism because, in the first place, it refers both to the speculative current of philosophy, what positivists call metaphysics, and to the empirical current, i.e., to that which finds its ultimate and fullest expression in positivism itself. Secondly, this conviction of mine differs from the positivist one because, althought I recognize that the abstract-philosophical development has ended, I do not consider it fruitless. On the contrary, I recognize that it has led to certain positive results, the delineation of which is the principal task of this book. Thirdly, the self-satisfied certainty with which positivism draws, from the grou...

Atmosfera cultural desfavorável à filosofia constatada por Brentano

 Brentano constata que em sua época foi perdida a fé (Entmutung) que a filosofia possa pretender ser uma ciência. As razões dessa descrença são: 1) A falta de teses (Lehrsätze) que sejam reconhecidas universalmente em filosofia (...) a multiplicidade de posições não somente nos detalhes, mas também nos princípios fundamentais.  2) O fato de grandes reviravoltas nas opiniões filosóficas, que se repetem em certas épocas, de geração a geração. 3) A impossibilidade de realizar as tarefas da filosofia com o auxílio da experiência. 4) O conhecimento científico nos dá a possibilidade de fazer aplicações práticas, o "conhecimento" filosófico é completamente inútil, não se pode jamais aplicá-lo de maneira aproveitável.

René Descartes

O caso de Descartes é singular, ele é um filósofo que fez escola e deixou diversos sucessores - no assim chamado "cartesianismo" - mas a tradição que deu continuidade à interpretação do pensamento de Descartes é talvez a que mais se afastou daquilo que seu mestre efetivamente escreveu. O programa cartesiano 1. Estabelecer a certeza apodítica da existência do ego. 2. Elucidar a essência do eu descoberto no cogito. 3. Fundar então o conjunto dos conhecimentos. Ordem das Ideias Ordem das Meditationes e dos Principia: je doute, je sais que je doute et par conséquent que je pense et suis, je sais que Dieu est, et qu’il ne peut être trompeur, je puis donc fonder une science du monde sur les idées claires, et tirer enfin de cette science les applications techniques qui me rendront maître de la Nature. Mais, dès lors, il y a deux ordres cartésiens. Le premier est celui du Temps, le second est celui du Système Seules les Méditations peuvent donc mettre en lumière le rapport intime des...

História literária da Filosofia

  Introdução A passagem da fase pré-filosófica para a fase filosófica envolve uma mudança fundamental na maneira como os seres humanos abordam e explicam o mundo ao seu redor. Isso representa a transição do discurso mito-poético para o pensamento racional e filosófico. Vamos explicar esse processo em etapas: 1. Fase pré-filosófica (discurso mito-poético):    - Na fase pré-filosófica, as sociedades humanas dependiam fortemente de explicações míticas e poéticas para entender o mundo e os fenômenos naturais.    - Mitos eram narrativas tradicionais que explicavam a origem do universo, da humanidade e dos deuses, bem como o funcionamento da natureza.    - Essas explicações eram frequentemente baseadas em narrativas místicas, lendas e histórias transmitidas oralmente.    - O pensamento nessa fase era mágico, simbólico e muitas vezes irracional. Os mitos eram aceitos como verdades absolutas e não eram submetidos a questionamentos críticos. 2. Transi...